Dia de Finados

A celebração do Dia dos Finados na Igreja Católica Romana iniciou em um mosteiro da França, onde o abade Odilon ordenou aos monges que orassem por todos os falecidos, de todos os lugares e todos os tempos, independente do credo.
A tradição foi oficializada alguns séculos depois em Roma, pelo Papa, determinando a data de 02 de novembro para os católicos intercederem pelos falecidos.
Segundo a doutrina Católica Romana grande parte das almas estão em um lugar chamado Purgatório. Um local onde as pessoas que cometeram pecados permanecem para se purificar. Os fiéis acreditam que orando, mandando rezar missas e acendendo velas podem adiantar a saída delas de lá. Segundo a doutrina, todas as pessoas após o falecimento imediatamente apresentam-se diante do Arcanjo Miguel, que analisa os pecados e virtudes e decide se a pessoa irá imediatamente ao Céu ou deve purificar-se no Purgatório.

E quanto à outras crenças, como encaram a morte ou o Dia de Finados?

No México o Dia dos Mortos (Dia de los Muertos) é comemorado com festa, pois acredita-se que neste dia os parentes falecidos voltam para visitar seus entes queridos. Portanto, são recebidos com muita música, dança e com biscoitos que lhes agradam.
Os protestantes não celebram o dia de hoje apesar de crerem na vida após a morte. Os mesmos encaram esta passagem como a única chance de redenção, o que significa que logo após falecerem já são julgadas e cada qual irá para o lugar de acordo com a vida que tiveram. Aqueles que viveram segundo o propósito de Deus herdarão a vida eterna junto ao Nosso Senhor e os demais, para o tormento consciente de onde nunca conseguirão sair.

Como no Protestantismo há muitas vertentes, existem algumas que creem que os que negam a Cristo e desobedecem seus mandamentos irão direto ao inferno e os seus seguidores entram em um descanso até a 2ª vinda de Jesus Cristo.
As Testemunhas de Jeová são aniquilistas. Para os TJ´s existem 3 tipos de almas: dos ímpios, injustos e justos. Ímpios são os que não terão direito à ressurreição.

Injustos são aqueles que faleceram desde a criação do Homem e irão ressuscitar para uma nova chance de salvação durante o milênio. É interessante que há até um número estipulado: 20 bilhões. Destes 20 bilhões, os que passarem à prova, poderão viver eternamente na Terra tornando-se justos. Porém, há 144 mil que serão considerados os ungidos de Deus e estes terão o direito de viver junto a Ele no Paraíso. Todos os demais serão aniquilados. Testemunhas de Jeová não creem no inferno eterno, creem que simplesmente os “maus” deixarão de existir.

Semelhantes às Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia também não creem no tormento eterno. Todos os falecidos estão adormecidos e acordarão somente no dia da 2ª Vinda de Jesus, onde serão julgados. Os justos viverão com Deus e os ímpios serão aniquilados.

O Espiritismo segundo Allan Kardec possui a doutrina da reencarnação que é uma espécie de aperfeiçoamento da alma. O ser humano reencarna quantas vezes forem necessárias até que seus espíritos tornem-se espíritos de luz, evoluídos. Os espíritas não acreditam em ressurreição. Jesus Cristo é apenas o maior exemplo de vida a ser seguido.

Hinduístas e Budistas também creem na reencarnação, mas com um pequeno diferencial do Espiritismo, durante o processo as pessoas podem regredir espiritualmente reencarnando como um animal ou até mesmo um inseto. O Candomblé não existe concepção de Céu e Inferno, muito menos uma punição eterna. Para seus adeptos, morrer é apenas uma transição de uma dimensão à outra, junto com outros espíritos, orixás e guias. A Umbanda devido ao sincretismo com crenças cristãs, espírita kardecista e afro, possuem vertentes que se diferenciam. No entanto, para eles a morte é uma etapa do ciclo evolutivo, acreditando na reencarnação como base para a evolução do espírito.

No Islamismo, todos os que morrem ficam aguardando o último dia, do Juízo Final, para serem julgados pelo Criador. Assim como no Protestantismo, esta vida é que define sua salvação ou a perda da mesma. No Judaísmo há a crença da sobrevivência da alma, mas não especifica como será a vida após a morte ou se a mesma existe de fato, dando lugar a diversas interpretações. Diz-se que alguns acreditam na reencarnação e outros na ressurreição dos mortos. Mas é muito importante antes de morrer colocar a casa em ordem e fazer as pazes com Deus.

Independente da crença (ou descrença), acredito que hoje seja um dia de reflexão, de lembrar dos nossos queridos que se foram.
O importante é não deixar que o que existe de mais belo dentro de nós morra ou, se já aconteceu, que nos demos a chance para renascer.

Dia de Finados – O nascer para o além 

Há quem morra todos os dias.

Morre no orgulho, na ignorância, na fraqueza.

Morre um dia, mas nasce outro.

Morre a semente, mas nasce a flor.

Morre o homem para o mundo, mas nasce para Deus.

*
Assim, em toda morte, deve haver uma nova vida.

Esta é a esperança do ser humano que crê em Deus.

Triste é ver gente morrendo por antecipação…

De desgosto, de tristeza, de solidão.

Pessoas fumando, bebendo, acabando com a vida.

Essa gente empurrando a vida.

Gritando, perdendo-se.

Gente que vai morrendo um pouco, a cada dia que passa.

*
E a lembrança de nossos mortos, despertando, em nós, o desejo de abraçá-los outra vez.

Essa vontade de rasgar o infinito para descobri-los.

De retroceder no tempo e segurar a vida.

Ausência: – porque não há formas para se tocar.

Presença: – porque se pode sentir.

Essa lágrima cristalizada, distante e intocável.

Essa saudade machucando o coração.

Esse infinito rolando sobre a nossa pequenez.

Esse céu azul e misterioso.

*
Ah! Aqueles que já partiram!

Aqueles que viveram entre nós.

Que encheram de sorrisos e de paz a nossa vida.

Foram para o além deixando este vazio inconsolável.

Que a gente, às vezes, disfarça para esquecer.

Deles guardamos até os mais simples gestos

*
Sentimos, quando mergulhados em oração, o ruído de seus passos e o som de suas vozes.

A lembrança dos dias alegres.

Daquela mão nos amparando.

Daquela lágrima que vimos correr.

Da vontade de ficar quando era hora de partir.

Essa vontade de rever aquele rosto.

Esse arrependimento de não ter dado maiores alegrias.

Essa prece que diz tudo.

Esse soluço que morre na garganta…

*
Há tanta gente morrendo a cada dia, sem partir.

Esta saudade do tamanho do infinito caindo sobre nós.

Esta lembrança dos que já foram para a eternidade.

Meu Deus!

Que ausência tão cheia de presença!

Que morte tão cheia de esperança e de vida!

*

Por Padre Juca, adaptado por Sandra Zilio

Fonte de pesquisa: https://rivotrilcomcoca.blogspot.com/o-nascer-para-o-alem-dia-de-finados.html

 

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